Segunda, 05 de Outubro de 2026
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ANGUERA: ANTIGO DISTRITO DE FEIRA CRESCE SEM ESQUECER O PASSADO

A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

Redação
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Feira de Santana - BA
05/10/2026 às 15h47
ANGUERA: ANTIGO DISTRITO DE FEIRA CRESCE SEM ESQUECER O PASSADO
Foto: Reprodução/Prefeitura de Feira de Santana - BA

Em 40 minutos, sem pressa, pode-se chegar à cidade de Anguera, que no idioma tupi significa Alma. Ali é visível o progresso, mas, sem o estresse das grandes cidades, ainda é possível um bom dia, uma boa tarde e ‘contar estrelas’, como gostam de dizer alguns poetas. Quem é de Almas é de Anguera, e vice-versa, garante o filósofo e escritor Leonídio Marchy, que fala com satisfação de sua terra natal.

Bem próximo a Feira de Santana, da qual se emancipou em 1965, Anguera é um município que preza suas tradições e, apesar do claro processo desenvolvimentista que experimenta, guarda muito do seu passado quando era conhecido como Almas, topônimo que no idioma tupi significa, exatamente, Anguera. Professor, mestre da Ordem Mística Atlantis (OMA) e escritor, Leonídio Marchy gosta de lembrar o antigo distrito de Almas, onde nasceu e passou a infância, com posterior mudança para Feira de Santana, para dar sequência aos estudos, em seguida a ida para a cidade de São Paulo, onde viveu importante etapa da sua vida profissional.

Relembra a feira-livre, que até hoje é mantida no dia de sábado, mas sem a mesma relevância. ‘Era um movimento grande. Vinham pessoas de toda a região, até mesmo de Riachão do Jacuípe’. Ele acredita que a proximidade de Feira de Santana, são apenas 38 quilômetros, a qualidade das estradas e a facilidade atual de deslocamento por transporte rodoviário, em menos de 40 minutos, deixou a feira-livre como um movimento de compra e venda de característica comunitária, ou local. Tanto é que ‘depois do meio-dia o movimento se esvai rapidamente’, ressalta. Todavia, ele defende a permanência da feira-livre como uma das marcas mais interessantes da comunidade, tanto pelo lado histórico como do ponto de vista social, “um momento em que os moradores do segmento rural vêm à cidade existido assim um entrelaçamento social necessário e importante nesse movimento comercial, hoje preterido por alguns devido aos shoppings”, observa.

Como bom anguerense, Leonídio gosta de falar do tempo de estudante da então chamada escola primária, isso na década de 1940, lembrando a professora Eutrópia. ‘Ela era zeladora da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e a escola ficava contígua à Igreja. Era uma mestra de métodos firmes, como era natural na época, e por isso lhe sou muito grato’, diz. O escritor, mesmo tendo se radicado em São Paulo durante bom tempo, vai rememorando, de forma fragmentada, o antigo distrito de Feira de Santana.

A região, além de registrar a natural agricultura de subsistência, feijão, mandioca, milho, batata-doce, abóbora e frutas, tinha um razoável rebanho bovino e se destacava ainda na produção de folhas de tabaco, com um bom número de pequenos fumicultores que vendiam a produção para abastados fazendeiros e donos de armazéns em Feira de Santana. Em número menor, alguns agricultores, no momento da colheita, preferiam não vender as folhas do tabaco e produziam charutos e fumo de corda, que, na época, tinham boa vendagem nas feiras livres e armazéns. Outro produto agrícola rentável era a mamona, que nascia livremente e era negociada com comerciantes locais. Marchy lembra João Mamona. ‘Dono de um bom armazém, ele comprava mamona dos ruralistas, qualquer quantidade. Era chegar e pesar. Ele pagava o preço de mercado ao produtor e revendia para fábricas de óleo do produto. Creio que por isso era conhecido como João Mamona’.

Rememora também famílias tradicionais que contribuíam de forma direta para o desenvolvimento da cidade de Almas, citando, dentre outras, as famílias Vieira, Bião, Bastos e Sofia Brandão. Outros não nativos, como Manoel Galdino e a doutora Helena, oriunda de Salvador, que, ‘salvo engano, foi a primeira médica de Anguera (Almas)’. Havia também tipos interessantes como em outras comunidades e, no caso do então distrito de Almas, o inspetor da Polícia Civil, ‘Seu Rosa’, ficou na memória popular. ‘Seu Rosa era um homem de baixa estatura, que usava um enorme facão, maior do que ele, praticamente, que chegava colocando ordem. Uma pessoa difícil de ser esquecida’, diz Leonídio.

Emancipada de Feira de Santana há seis décadas, Anguera vem se desenvolvendo de uma forma natural, sem atropelos, constituindo-se em um local recomendável para quem procura viver com tranquilidade, ouvir um bom dia, uma boa noite e colocar cadeira no passeio da residência para apreciar o luar e as estrelas. Mas a cidade continua crescendo tanto assim que ‘a antiga Lagoa de Maria Luiza hoje é área comercial no centro da cidade’, garante Marchy.

Por Zadir Marques Porto

 



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